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Balanço de leitura 2016

2016 foi um ótimo ano, principalmente no que respeita a livros. Não me impus nenhuma meta porque não acredito na leitura por lazer como uma obrigação, leio porque me dá prazer e porque quero. Ainda assim, gosto de ir melhorando os meus hábitos de leitura e de acabar o ano com um maior número de livros lidos do que no ano anterior. Foi exatamente o que aconteceu. Em 2015 li 23 livros e em 2016 li 45. Não podia estar mais satisfeita.

No início do ano passado decidi que queria ultrapassar os 23 livros que li em 2015 e empenhar-me mais na leitura. Comecei com um clássico que sempre quis ler: E Tudo o Vento Levou. Como é um livro extenso demorei três meses a lê-lo, e pensei que as minhas expectativas de ler mais livros em 2016 estavam goradas. Escolhi, então, ler obras um pouco mais curtas para me motivar a ler mais. Resultou. O meu gosto pelos livros e o “BookTube” deram-me o empurrão que eu precisava para me concentrar na leitura. Acabei por ter um ano muito produtivo, em que a diversidade foi o ponto alto.

Lista de livros lidos (por ordem de leitura):

E Tudo o Vento Levou, Margaret Mitchell
3 contos de Hans C. Andersen (A Pequena Sereia, A Rainha das Neves, A Vendedora de Fósforos)
O Principe e o Pobre, Mark Twain
Paris, Julien Green
O mapa e o território, Michel Houllebecq
Divórcio em Buda, Sandor Marai
Flush – Uma Biografia, Virginia Woolf
Bom-dia, Meia-Noite, Jean Rhys
O Livro da Selva, Rudyard Kipling
O Caso do Segredo da Enteada, Erle Stanley Gardner
A Lebre de Vatanen, Arto Paasilinna
A honra perdida de Katharina Blum, Heinrich Boll
A familia dos Mumins, Tove Jansson
O último dia de um condenado, Victor Hugo
O espião que veio do frio, John Le Carré
O falecido Mattia Pascal, Luigi Pirandello
Peter Pan, J. M. Barrie
A verdade sobre o caso Harry Quebert, Joel Dicker
Dubliners, James Joyce
O Mundo Em Que Vivi, Ilse Losa
O Vento nos Salgueiros, Kenneth Graham
They Do It With Mirrors, Agatha Christie
Animal Farm, George Orwell
The Lost Symbol, Dan Brown
Wonder, R. J. Palacio
Anna dos Cabelos Ruivos, Lucy Maud Montgomery
A herança de Eszter, Sandor Marai
A familia de Pascual Duarte, Camilo José Cela
As mais belas fábulas africanas, vários autores
As duas irmãs, Agatha Christie
As crónicas de Fernão Lopes, Fernão Lopes
As desventuras do Sr. Pinfold, Evelyn Waugh
Washington Square, Henry James
The Pearl, John Steinbeck
As aventuras de Ton Sawyer, Mark Twain
As aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain
A tarde de um escritor, Peter Handke
The Invisible Man, H. G. Wells
O cometa dos Mumins, Tove Jansson
The Catcher in the Rye, J. D. Salinger
The Big Four, Agatha Christie
A joia das sete estrelas, Bram Stoker
Merry Christmas, Louisa May Alcott
The Nutcracker, E. T. A. Hoffman
A Festa de Halloween, Agatha Christie

Os autores mais lidos foram: Agatha Christie (como não podia deixar de ser), Mark Twain, Sandor Marai e Tove Jansson.

Os livros de que mais gostei foram: E Tudo o Vento Levou; Bom-dia, Meia-Noite; O espião que veio do frio; O mundo em que vivi; Animal Farm; Wonder; Anna dos cabelos ruivos; The Catcher in the Rye; The Big Four.

Os livros de que menos gostei foram: O Livro da Selva; O Vento nos Salgueiros; The Lost Symbol; A joia das sete estrelas; The Nutcracker.

Surpresa do Ano: The Catcher in the Rye. Foi o livro que este ano mais me marcou. Descobrir Salinger e a sua obra-prima foi um dos pontos altos do meu ano literário. Fiquei com muita vontade de ler as suas restantes obras.

Desilusão do Ano: The Lost Symbol. O pior livro do ano. Não teve ponta por onde se lhe pegasse. Uma boa ideia muito mal executada.

Conclusão: 2016 foi um ótimo ano de leituras. Nem todos os livros referidos têm crítica aqui no blogue, mas terão, pois planeio escrever sobre eles assim que puder. Também pretendo manter ou ultrapassar o número de livros lidos. Seria espetacular ler mais de 45 livros em 2017. Por vezes não depende só de mim, mas vou tentar, tenho as prateleiras cheias de excelentes propostas. Todas as segundas-feiras há novo artigo aqui no blogue.

Desejo-vos um ótimo 2017, cheio de ótimas leituras!

Literatura Europeia

A herança de Eszter

 

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Mais uma vez, Sandor Marai. É o meu terceiro livro do autor húngaro. Já sei ao que vou. E gosto.

Eszter é uma mulher de meia idade que vive uma existência monótona numa casa velha de aldeia e idealiza o reencontro com o que foi o grande amor da sua vida. Certo dia, esse homem aparece-lhe com a esposa glamorosa ao estilo atriz de Hollywood em decadência, e dois filhos adolescentes rabugentos e insatisfeitos com a realidade. Lajos volta, mas não é para ela, deseja o anel de noivado que lhe deu há vinte anos para o oferecer à filha como parte de um dote. Contudo, tal como todas as coisas em que Lajos toca, esse anel também se evaporou.

A herança de Ester (1939) é um romance curto sobre um triângulo amoroso e o poder que uma pessoa tem sobre outra. Lajos não sente pudor em regressar a casa de Eszter para, mais uma vez, lhe roubar o pouco que de valioso ela tem, e Eszter, mais uma vez, dar-lho-ia se tivesse. Numa Hungria devastada onde a classe média é mal vista e tenta sobreviver a todo o custo, os mais fracos são insultados e oprimidos não pelos mais poderosos mas, neste caso, por um certo chico-espertismo que faz de tudo para singrar.

O mais bonito da obra é vermos como os sentimentos de Eszter são expostos. Marai desarma os corações mais rijos com uma escrita crua e intensa. Não sentimos pena dela, nem revolta, nem angústia, apenas uma leve tristeza e esperança de que tudo possa acabar bem. Recomendo. Um grande romance em poucas páginas.

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Feliz Natal!

Feliz natal a todos!

Espero que tenham passado uma ótima quadra junto dos que mais gostam e com muitos livros no sapatinho!

Por cá, também recebi algumas leituras. Uns quantos livros de Agatha Christie que ainda não tinha, o Fates and Furies, de Lauren Groff, e um guia de episódios das séries de desenhos animados He-man e She-ra (que achei muito cool!).

No entanto, escrevo este post para vos falar de dois livros que li, antecipando-me ao Natal: A Merry Christmas, de Louisa May Alcott e O Quebra-nozes, de E. T. A. Hoffman.

A Merry Christmas

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Louisa May Alcott é sobretudo conhecida pela sua maravilhosa obra As Mulherzinhas. Porém, é também autora de alguns contos de Natal que foram agora compilados pela Penguin numa bonita edição especial. Estas histórias são muito parecidas com o seu livro principal. Falam de crianças ou jovens pobres que gostariam de ter um Natal quentinho ou de pessoas mais velhas que gostariam de o passar em família. Os valores que defende são sempre os mesmos: amizade, amor, gratidão, bondade, generosidade. Por vezes confesso que é um pouco cansativo ler sempre sobre as mesmas coisas, mas a verdade é que os seus finais são tão reconfortantes que nos enchem a alma. Não há dúvida de que Louisa May Alcott era uma defensora da paz e do bem, apregoando-os nos seus textos. A sensação que por vezes dá é a de nos querer mostrar que estes valores compensam e superam quaisquer outros. Gostei muito e recomendo vivamente.

O Quebra-nozes 

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Gosto muito de ballet e não há melhor época para assistir a um belo bailado do que o Natal. Por ter visto O Quebra-nozes diversas vezes, e inclusive ter tido uma cassette de desenhos animados com a história da peça, decidi comprar o livro para ler a versão original. Os primeiros capítulos são interessantes, dando um mote empolgante à narrativa e prometendo ação, contudo, confesso que o meio me custou um pouco a ler por ser repetitivo e não fazer grande sentido. Não há dúvida de que E. T. A. Hoffman escreve bem, porém, a linha condutora da sua narrativa é confusa e pouco explicativa. As personagens passam de uma situação para a outra num abrir e fechar de olhos, e os motivos por que o fazem não são claros para o leitor. Fora isso, trata-se de uma história bonita com a magia do Natal que creio ser mais indicada para crianças do que para adultos. Quem gosta do bailado é capaz de gostar dela também.

Uma nota especial para a coleção Penguin Christmas Classics. Seis clássicos natalícios com capas a condizer, a mesma fonte, notas biográficas e separadores com desenhos. Podem ser comprados separadamente ou todos juntos com caixa arquivadora. Este ano li estes dois e para o ano que vem espero ler os outros quatro. Recomendo. Dá gosto comprar livros assim.

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O Vento nos Salgueiros

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Para mim, os clássicos são sempre uma ótima oportunidade não só para conhecer os livros considerados o cânone da literatura, mas também para compreender porque o são. O Vento nos Salgueiros (1908) é, há muito, considerado um livro de referência no género infantil, tendo sido adaptado para séries de animação e longas-metragens. Por isso, quis lê-lo.

O Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame, sempre me intrigou. Sempre pensei nele como um romance ternurento passado no mundo dos animais, quiçá até um pouco triste. O que descobri, porém, não foi bem isso. É verdade que o primeiro capítulo é promissor, com um rato e uma doninha a partirem numa viagem de barco através do rio junto às suas casas, contudo, depois, parece que o livro ganha uma linguagem cómica e torna as aventuras destes amigos, de um sapo e uma toupeira, um pouco mais surreais. Creio que deve apelar a uma criança ler este tipo de brincadeiras, porém, o que me pareceu foi que as brincadeiras também são um pouco adultas para um público mais novo (como é, por exemplo, o caso da prisão do sapo).

Esta obra é interessante, mas não foi, de todo, uma das minhas preferidas. Acho que a minha ideia romantizada levou um pouco a melhor de mim e me estragou a experiência da leitura. De qualquer forma, devo referir que O Vento nos Salgueiros (cujo título é um dos mais bonitos no que a narrativas infantis diz respeito) é um livro muito bem escrito e querido para muita gente. Lá por eu não o ter adorado não quer dizer que seja mau. Não me arrependo de o ter lido, pelo contrário, é bom conhecer os clássicos e perceber o que leva tantas pessoas a a gostar deles. Neste caso em concreto compreendo que tenha sido uma obra para crianças inovadora para o início de século. Se perdurou até aos dias de hoje é porque há muita gente a apreciá-los. Infelizmente, não é bem o meu caso.

Literatura Juvenil

As mais belas fábulas africanas

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Tento ler o mais diversamente possível. As minhas preferidas são as literaturas britânica e americana, mas também tento ler portuguesa, espanhola, italiana, francesa, escandinava, russa, latina-americana. Da africana conheço pouco, aliás, o único livro que li foi Things Fall Apart, de Chinua Achebe, uma bela resposta à obra de Conrad, O Coração das Trevas. Logo, quando vi à venda As mais belas fábulas africanas, com prefácio de Nelson Mandela, não só achei que era uma excelente iniciativa da Nuvem de Letras, como a comprei.

Esta obra é uma compilação de fábulas de vários países africanos registas normalmente por professores, tradutores e escritores ocidentais que passaram algum tempo nesses lugares e quiseram pôr por escrito um valioso património oral que não queriam ver perdido. Segundo o prefácio de Nelson Mandela, muitas destas histórias são contadas às crianças africanas, como são contados os contos de fadas aos meninos ocidentais. Servem não só para estimular a sua imaginação e intensificar o sentimento de pertença, como também para servir de exemplo e fazer com que elas sejam capazes de distinguir o Bem e o Mal.

Confesso que algumas das fábulas são particularmente violentas, sem uma moral que valide o que referi acima, porém, a maior parte delas fala de valores partilhados universalmente como o amor, a amizade, o valor da vida e da morte. Duas das características mais vincadas nestas fábulas são o papel da mulher, que normalmente está associado à procriação e submissão perante um homem, e a superação ou sobrevivência que em África parece particularmente importante, seja através da força ou da inteligência.

Gostei deste livro. Não posso dizer que seja o meu preferido em termos de fábulas ou contos, mas é uma boa leitura para quem deseja conhecer mais um pouco da cultura africana e saber que histórias as crianças deste maravilhoso continente aprendem.

Literatura Britânica · Literatura Europeia

A Jóia das Sete Estrelas

Gosto muito de livros de suspense. Thrillers, policiais, crime, gosto de todos estes géneros (principalmente se forem da autoria de Agatha Christie…). Contudo, o terror é uma categoria literária que não exploro porque não gosto de ficar sem dormir. Achava que isso me ia acontecer com esta obra em particular, mas não foi o caso.

A joia das sete estrelas (1903), de Bram Stoker, afamado escritor de Drácula (critica aqui no blogue) é supostamente um dos melhores livros de terror de todos os tempos. A história passa-se em Londres, no final do séc. XIX, quando um brilhante advogado em início de carreira é chamado a casa da filha de um historiador que, de súbito, entrou num transe do qual não consegue sair. Ninguém é capaz de explicar o facto e um perito em egiptologia e magia oculta é chamado para salvá-lo. Descobre-se então que este homem é um antigo amigo do historiador e que, com ele, explorou túmulos egípcios. Um desses túmulos era o da rainha Tera que, incomodada no seu sono e privada das relíquias que descansavam consigo (entre elas a sua mão de sete dedos), acaba por reencarnar no corpo de outra mulher. O que é estranho é que Margaret, a filha do historiador, tem, sem saber, muitas parecenças bizarras com a rainha Tera…

A premissa parece interessante e, depois de conhecermos o trabalho de Stoker, ficamos com vontade de saber como é que o escritor imaginou as suas outras obras. Para meu grande espanto, encontrei muitas semelhanças entre este livro e o próprio Drácula. Há muitas imagens parecidas como o facto de as vítimas serem mulheres desamparadas, normalmente vestidas de branco; a história é vista do ponto de um outsider com esperança de resolver o problema para poder ficar com a pessoa amada; um holandês perito em assuntos do oculto é mandado chamar para iluminar o grupo que tenta solucionar a questão. Apesar destas presenças, a história segue o seu fluxo, tornando-se por vezes demasiado repetitiva. Stoker demora-se em pormenores que são imediatamente claros ao leitor, fazendo com que o ritmo seja lento numa narrativa cheia de suspense e por isso frenética. É claro que devemos ter em conta de que se trata de um livro escrito no final do século XIX, pelo que a narrativa não poder ser igual às do século XXI.

Por outro lado, e novamente seguindo um pouco o que acontece em Drácula, o papel da mulher nesta obra é visto como pouco relevante, quase só serve para fazer de vítima. O autor chega mesmo a afirmar que os comentários infantis de Margaret são normais por ela ser de sexo feminino, algo que sem dúvida tem a ver com a época em que o escritor viveu, embora tal justificação não seja menos agradável às leitoras.

Resumindo, trata-se de um bom romance, especialmente se for visto à luz da época em que foi escrito. É notório que Stoker adorava lendas e mitos do oculto e que tentava transpor o seu gosto para histórias que chocassem o público. Não considero este livro assustador, nunca me tirou o sono (graças a Deus), mas é um bom ponto de partida para quem quer entrar neste género ou simplesmente ler um bom romance vitoriano. Só aconselho a não comprarem a edição da Editorial Estampa porque o grafismo não é bom e a tradução deixa um pouco a desejar.

Literatura Britânica · Literatura Europeia

The Invisible Man

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Não gosto de ficção científica, nunca leio. Nem vejo na televisão, nem no cinema. É simplesmente um tema que não me atrai. No entanto, ao ler a premissa deste livro, fiquei com vontade de o ler e de sair um pouco da minha zona de conforto.

A primeira vez que ouvi falar da história do homem invisível foi no museu de cera Grévin, em Paris, tinha eu uns 11 anos. Tratava-se de uma estátua não-estátua, ou seja, de roupas penduradas por arames que de certa forma davam a ideia de um homem sem corpo. Deve ter sido mais ou menos o que os personagens sentiram quando viram a personagem principal pela primeira vez.

H. G. Wells escreveu o seu romance em 1897 e o que impressiona é a modernidade da ideia. Griffin é um jovem cientista que se dedica ao estudo da retracção dos corpos, algo que os impede de absorver e refletir a luz tornando-se, deste modo, invisíveis. Depois de utilizar um gato como cobaia, decidi experimentar a poção em si próprio e tornar-se invisível. A princípio, a sensação de poder e impunidade é incrível, e Griffin sente-se muito feliz. Todavia, não pensou que um corpo transparente também tem de vestir roupas para não ter frio, de comprar comida para não morrer à fome, e que cada vez que pega num objeto este flutua, parecendo estranho aos demais. A sua vida torna-se um inferno e ele ainda não tem um antídoto que o cure…

Esta ideia é simplesmente genial. Não é à toa que H. G. Wells é o escritor de ficção científica mais admirado e um dos mais prolíferos, com clássicos como A Guerra dos Mundos, A Máquina do Tempo e A Ilha do Dr. Moreau. A sua imaginação é fascinante, a sua escrita é fluída e sem grandes floreados, uma vantagem em livros repletos de ação que por vezes mais parecem guiões de Hollywood (mesmo tendo sido escritos no séc. XIX). Precisamente por este motivo, creio que o autor peca por não desenvolver melhor as suas personagens a nível psicológico e em não explicar as suas ações.

Apesar disso, o livro é um prazer. A história é emocionante, a escrita é cativante e o factor “ficção científica” não incomoda os leitores menos habituados, como eu. É um clássico e eu recomendo-o.

Literatura Europeia · Literatura Portuguesa

As Crónicas de Fernão Lopes

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Decidi ler mais um livro português neste meu mar de literatura estrangeira.

Lembro-me de na escola e na faculdade grande parte dos professores de História e Português aconselharem a leitura de As Crónicas de Fernão Lopes a todos os alunos. Percebo porquê. Trata-se do trabalho de um dos primeiros “jornalistas” com informação privilegiada junto de governantes e pessoas influentes, que punha no papel (num tempo em que o alfabetismo era raro) o que acontecia nos mais alto círculos reais.

Apesar de ter passado grande parte da vida a relatar o que testemunhava, Fernão Lopes chega-nos sobretudo como autor de três crónicas essenciais para melhor entendermos a nossa História: as de D. Pedro, D. Fernando e D. João I. Nestes documentos, o cronista do reino conta-nos o que ocorria na corte destes três reis, como viviam, com quem conviviam, como arranjavam os seus casamentos e, principalmente, como viveram os conturbados anos da crise de sucessão de 1383-85. O leitor fica a saber o que de importante se passava nos bastidores e como até nesse tempo a política e o poder já estavam desenvolvidos.

A escrita de Fernão Lopes é, claro está, datada, porém as edições contemporâneas das Crónicas estão adaptadas ao português atual, o que faz com que qualquer pessoas as consiga ler. Ultrapassada a barreira linguística, o leitor depara-se com uma escrita clara, descritiva e até opinativa, ficando assim a saber o que Fernão Lopes pensava dos episódios ocorridos.

Recomendo vivamente a leitura das Crónicas de Fernão Lopes para quem gosta de ler sobre a monarquia, para quem gosta de História, ou simplesmente para quem tem curiosidade sobre o passado do nosso país.