Literatura Britânica

The Bloody Chamber

Como estamos no mês do Halloween (uma festa de que gosto muito), costumo ler um livro alusivo ao tema: crime, thriller e terror, desde que não assuste muito… Este ano, escolhi uma colectânea de contos de Angela Carter intitulada “The Bloody Chamber” (1979), nesta bonita edição da Penguin Deluxe que comprei há uns meses numa Feira do Livro. Todavia, e para meu grande desgosto, arrependi-me amargamente da minha escolha.

“The Bloody Chamber” reune adaptações de contos clássicos e infantis como O Barba Azul, A Bela e o Monstro, O Gato das Botas, O Capuchinho Vermelho, entre outros, rescritos com características mágicas, fantásticas, de terror e supostamente feministas. Contudo, a primeira adaptação (O Barba Azul) é a única que faz jus a esse objetivo.

Angela Carter foi uma escritora e jornalista britânica, conhecida sobretudo pela sua defesa do feminismo. É por isso de admirar que os contos deste livro, considerado a sua obra-prima, sejam tão degradantes para as mulheres. As personagens femininas que aqui encontramos são meros objectos sexuais para os homens, animais, e restantes criaturas fantásticas. Quase todas as histórias roçam o pornográfico e, na mais curta de todas (graças a Deus), há até a profanação e violação de um cadáver, adicionado a uma pitada de voyeurismo.

Estive quase a abandonar esta leitura, só não o fiz porque felizmente o livro é curto e eu queria ficar com uma opinião mais forte e fundamentada acerca do meu desprezo por ele. Não teve nada do que eu procurava: sustos, terror, suspense… Não, foi apenas a destruição completa dos contos que todos nós conhecemos através do que é mais cliché, sexual e sado-masoquista. Uma coisa é certa: foi de fugir.

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