
Conheci Willa Cather através das redes sociais. Nunca tinha ouvido falar dela e, numa pesquisa mais pormenorizada, descobri que foi uma importante escritora americana do início do século XX, que concentrou a sua obra sobretudo no tema dos pioneiros e no da sociedade norte-americana que entretanto se estava a formar.
No seu pequeno O Meu Inimigo Mortal (1926), Cather narra a história de Myra, uma jovem de boas famílias que, ao contrário do desejo do tio, decide trocar o seu bem-estar pelo amor ao fugir com Oswald, um rapaz pobre que a arrebata. Voltamos a encontrar o casal 25 anos depois num hotel barato numa zona artística de Nova Iorque, numa situação precária, decadente e infeliz.
Apesar de curta, esta novela é bastante curiosa porque, a meu ver, trata do tema do arrependimento. Na sua juventude, Myra achava que sabia o que era melhor para si e, após enfrentar tudo e todos, consegue levar a sua vontade avante para se dar conta, anos mais tarde, de que cometera um erro monumental. Myra não gosta de ser pobre e culpa o marido devotado pela vida que tem e que, no fundo, ela escolheu. É uma mulher infeliz e torna a vida dos que a rodeiam igualmente infeliz.
Gostei deste livro embora o tenha achado parecido com a primeira obra que li de Cather, Uma Mulher Perdida (1923). O tema é quase idêntico: mulheres jovens, casadas com homens que não amam e aparentemente presas a uma vida dura que não as satisfaz. O seu destino é quase uma fatalidade, o que pode não apenas ser frustrante para elas, mas também para o leitor que dá consigo a pensar: “Mas porque é que elas não fazem nada para alterar a sua condição?”