Literatura Europeia

O Castelo

OCastelo

Depois de ler A Metamorfose (1915) e O Artista da Fome (1924), de Franz Kafka, resolvi comprar um dos seus livros mais famosos, O Castelo (1926). Hesitei porque Kafka nunca o terminou, contudo, e para minha surpresa, não me importei muito que a história não tivesse um final.

Nesta obra, Kafka relata o estranho episódio em que K, um agrimensor de fora da cidade, é contratado pelo Castelo para trabalhar na identificação dos terrenos locais. Contudo, os habitantes não ficam contentes com a sua chegada, pelo que o menosprezam e dificilmente lhe dão guarida. Quando K tenta ir ao Castelo para esclarecer a sua situação, nunca lá consegue entrar porque pelo caminho vai encontrando obstáculos bizarros.

Durante a leitura, achei esta história bastante parecida com a de O Processo (1925). Ambas as personagens têm o menos nome, ambas se vêem envolvidas em situações similares, e, no geral, o ambiente do livro parece o mesmo: claustrofóbico, caótico, desordenado. Creio que Kafka terá querido expressar nos seus livros o tempo confuso em que vivia. No período entre guerras, as tensões sociais e as incertezas (principalmente para os judeus) eram enormes, e o autor terá tentado demonstrar a falta de respostas e certezas perante o silêncio e a ambiguidade que sentia.

Nunca saberemos ao certo o que Kafka quis realmente dizer, a minha é uma de muitas interpretações. No entanto, é ao lê-lo que fazemos com que a sua memória permaneça viva, uma memória que põe o Estado burocrático e, por vezes, esmagador no centro da trama como um vilão. Creio que muitas pessoas sabem perfeitamente o que isso é.

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