
Conheço pouco a literatura escandinava e, como desejo conhecer melhor a sua cultura, pensei que A Lebre de Vatanen (1975), de Arto Paasilinna, era um bom exemplar para eu me iniciar…
Vatanen é um homem de classe média, jornalista, casado, sem filhos, e habitante em Helsínquia que certo dia se vê envolvido num acidente de viação do qual resulta ferida uma lebre selvagem. Apesar de a lebre não ter morrido, e de Vatanen não ter sido o responsável pelo sucedido, sente-se obrigado a tratar dela. Diz ao colega que a atropelou que não é capaz de voltar à cidade sem assegurar-se de que o animal fica bem. Então, parte com ela para o bosque e é assim que a aventura de ambos começa.
A acção do romance leva-nos ao mais profundo coração da Finlândia, onde conhecemos as suas paisagens agrestes, que passam por todas as estações do ano, e as suas gentes rudes que, quiçá, estão um pouco longe da imagem que a maioria dos europeus tem dos finlandeses. Por vezes, a história torna-se tão surreal que é difícil acreditarmos nela, contudo, devemos ter em conta que os povos do norte têm este je ne sais quoi de pitoresco que faz com que as suas narrações pareçam autênticas sagas do arco-da-velha: um homem e uma lebre que ficam completamente dependentes um do outro e enfrentam um mundo complexo cheio de percalços.
A Lebre de Vatanen tornou-se um livro de culto na Escandinávia, o que não é de estranhar, pois tem tudo o que uma história a la norte da Europa gosta: amizade, natureza, suspense, bizarria, superação humana, descoberta pessoal. O padrão de um bom romance nortenho que também pode ser apreciado pelos demais. Recomendo.