Literatura Britânica

Bom-dia, Meia-noite

Comprei este livro porque a minha mãe o comprou. Li este livro porque a minha mãe o leu. A minha mãe não ficou muito impressionada com ele, mas eu… eu adorei-o.
Bom-dia, Meia-noite (1939) é uma das obras mais conhecidas de Jean Rhys, uma autora inglesa mais famosa no Reino Unido do que no resto do mundo. Nascida em 1890 na Republica Dominicana, filha de um médico galês e de mãe crioula, Rhys volta definitivamente a Inglaterra aos 16 anos para viver com uma tia. Após a morte do pai, em 1910, Rhys torna-se promiscua e financeiramente dependente de homens. Trabalha como modelo de nus, como voluntária numa cantina de soldados durante a I Guerra Mundial e como secretária no escritório de uma pensão. Ao longo da sua vida sofre vários abortos, um quase fatal. É no rescaldo deste episódio que começa a escrever.
Acredita-se que esta obra seja a continuação de outras três por parte da autora: Quarteto (1928), Depois de deixar Mr. Mackenzie (1930) e Viagem no Escuro (1934). Conta a história de uma mulher de cerca de cinquenta anos que luta contra uma depressão e várias vulnerabilidades. É obcecada com a sua aparência, que envelhece a cada dia que passa, não consegue ultrapassar a perda de um filho e o fracasso do seu casamento, e passa o tempo em bares a beber e a namoriscar com homens na busca de alguém que lhe dê atenção e a faça feliz.
Apesar de se tratar de uma história triste, a leitura deste livro não é monótona nem deprimente, pelo contrário, o leitor sente uma empatia imediata para com esta mulher, chegando mesmo a achá-la doce e a ter pena dela. Não sei se o livro terá algo de autobiográfico, mas não me admiraria se tivesse. Está muito bem escrito e o final é o melhor da história, um murro no estômago que deixará o leitor a pensar nele durante dias. Recomendo-o vivamente.

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