Literatura Europeia

Divórcio em Buda

Sándor Márai escreveu um dos livros que mais gostei de ler: As velas ardem até ao fim (cuja critica se encontra neste blogue). Por isso, não é de estranhar que eu continue a ler a sua obra e… a gostar dela.
Divórcio em Buda (1935) fala sobre um juiz casado que recebe um caso de divórcio para resolver. Relativamente novo na sociedade húngara, o processo de separação por lei nem sempre é bem visto pelos cidadãos mais conservadores, como é o caso deste juiz austero. No entanto, quando ele se apercebe que se trata do divórcio de um dos seus amigos de infância e da mulher que ele amou na juventude, a sua perspetiva do caso, e do divórcio propriamente dito, muda radicalmente.
Tal como acontece em As velas ardem até ao fim, Divórcio em Buda apresenta-nos o reencontro de dois veteranos, ex-amigos, com muitas diferenças entre si. Encontram-se mais tarde na vida para esclarecer pequenos desentendimentos que não ficaram resolvidos na adolescência. É durante essa conversa que acabam por compreender melhor os motivos que os levaram a fazer certas escolhas na vida e a razão pela qual acabam por ter de se encontrar forçosamente.
A escrita de Sándor Márai é fluída, pensada e um pouco triste. O autor revela em ambos os livros um lado muito sentimental e introspectivo que passa para as personagens e que faz com que a narrativa seja quase sempre baseada em pensamentos em vez de diálogos. Os problemas emocionais e as incompreensíveis regras da sociedade parecem ser a base da sua obra. Estes dois livros são o mais puro exemplo disso. Recomendo-os.

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