Estava um pouco reticente ao pegar neste livro porque, como escrevi aqui no blogue, não gostei do único livro que lera de John le Carré, O Espião Perfeito. Contudo, decidi dar uma segunda oportunidade ao escritor e arriscar esta obra que já estava há algum tempo na minha estante. Ainda bem que o fiz.
O espião que saiu do frio é um romance sobre a espionagem no tempo da Guerra Fria. A personagem principal, Alec Leamas, é um agente de campo britânico responsável pela espionagem da Alemanha Ocidental contratado para eliminar Mundt, líder dos Serviços Secretos da Alemanha de Leste e suspeito de ser um agente duplo britânico.
A narrativa está muito bem desenvolvida, o leitor acompanha Leamas ao longo da história sabendo apenas o que ele sabe e vendo apenas o que ele vê, pelo que as reviravoltas são surpreendentes tanto para um como para outro. Le Carré soube criar uma atmosfera de desconfiança e suspeição que gera momentos de pura adrenalina em que por vezes senti o meu coração a bater um pouco mais depressa com a ansiedade de saber o que se passaria a seguir. O final é inesperado e absolutamente brilhante, brilhante, perfeito para uma trama frenética e bastante verosímil em que a espionagem e a contra-espionagem são rainhas.
Como Graham Greene uma vez disse sobre O espião que saiu do frio: “O melhor romance de espionagem que alguma vez li.”
