Como já referi aqui no blogue, estive de lua-de-mel em França há cerca de um mês. Quando voltei para Portugal, tive uma enorme vontade de ler escritores franceses. O mais óbvio seria ter lido Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo, que já está há algum tempo na minha estante, mas, não sei porquê, apeteceu-me ler outro livro. Prémio Goncourt em 2010, O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq.
A única referência que eu tinha da obra vinha na sua capa: um autocolante a dizer “Vencedor do Prémio Goncourt”, o prémio literário de França, e tradução de Pedro Tamen, e um comentário do jornal espanhol El Mundo a dizer que Michel Houellebecq é o maior escritor francês vivo. Prometia. E pouco desapontou.
A escrita de Michel Houellebecq é hipnotizante, faz-nos querer virar a página mesmo quando a narrativa está um pouco perdida e não faz grande sentido. A história em si é uma critica ao mundo e aos ídolos do nosso tempo, feita através do meio artístico contemporâneo. O autor refere várias celebridades como agentes fazedores de uma cultura que não é carne nem peixe, centrada na veneração do “eu” para se fazer valer. Em contraposição, incluiu-se a si próprio como personagem na trama para refletir a imagem do último dos grandes pensadores que só quer ser deixado em paz para trabalhar a arte pela arte, e que se opõe inconscientemente aos que a trabalham como meio de choque gratuito para enriquecer.
O Mapa e o Território é um grande livro. Mais do que uma leitura diferente e agradável, é um murro no estômago por parte de um autor polémico, que critica a nossa sociedade quase pela calada, mas que é muito certeiro nos tiros que dá e nas perguntas que faz. Recomendo vivamente.
