É sem dúvida um dos meus filmes preferidos, se não for mesmo o meu filme preferido. E Tudo o Vento Levou (1939) foi uma das primeiras grandes produções da História do Cinema, foi dos filmes mais vistos nas salas até hoje, e um dos que mais Óscars arrecadou (8). É claro que por detrás de um grande filme só podia estar um grande livro.
A obra E Tudo o Vento Levou foi escrita em 1936 por Margaret Mitchell, uma jornalista nascida em Atlanta, Georgia, que resolveu pegar em muitos dos testemunhos que tinha e ouvia sobre a Guerra Civil Americana e adaptá-los num romance. Dessa decisão nasceu o seu único livro, uma das obras mais emblemáticas da História dos Estados Unidos, vencedora do Prémio Pulitzer, e recordista de vendas com mais 10 milhões de cópias vendidas.
A história retrata a vida de Scarlett O’Hara, uma adolescente rica e mimada do sudeste americano que apenas sonha em ser bonita e casar com o único homem que parece não desejá-la, Ashley Wilkes. Quando estala a Guerra Civil, Scarlett vê-se sozinha num mundo completamente virado do avesso e com poucas probabilidades de voltar a ser o que tinha sido. É nesta situação que conhece melhor Rhett Butler, um empresário oportunista que se deslumbra com os seus encantos e principalmente com a sua capacidade de ser tão diferente das outras senhoras de Atlanta. Daqui nasce uma das histórias de amor mais dramáticas da literatura moderna.
E Tudo o Vento Levou pretende contar a história da Guerra Civil por meio da história de Scarlett O’Hara. É através desta personagem principal (uma das personagens femininas mais relevantes da literatura e, consequentemente, do cinema), que o leitor fica a saber como se vivia na Georgia, um dos estados da confederação que perdeu a guerra, e como foi para o Sul recuperar após anos de tanta necessidade e privação. Para além da transformação do país, assistimos também à transformação e ao crescimento da própria Scarlett, que se torna uma mulher independente e amante do dinheiro, e que percebe, demasiado tarde, o que realmente quer.
Recomendo vivamente a leitura de E Tudo o Vento Levou e, claro, a visualização do filme de David O. Selznick, com Clark Gable e Vivien Leigh. Apesar de haver cenas do livro que não estão retratadas no filme, é das melhores adaptações que já vi. Sem dúvida, duas obras-primas.
