Literatura Europeia

Três contos de Andersen

Hans Christian Andersen é um dos mais conhecidos escritores de histórias para crianças. Muitos dos seus contos foram adaptados ao cinema, sendo a Disney o estúdio que mais divulgou o seu trabalho com clássicos como O Patinho Feio (1939), A Pequena Sereia (1989) e, mais recentemente, Frozen (2013), inspirado no conto A Rainha das Neves
Há cerca de dois meses, reli três das minhas histórias preferidas deste autor dinamarquês: A Vendedora de Fósforos, A Pequena Sereia e A Rainha das Neves.
A Vendedora de Fósforos (1845) narra a história de uma rapariga muito pobre que perdeu a avó, e que é obrigada pelo pai alcoólico a vender fósforos na noite de fim de ano. Como está muito frio e ela não tem como se aquecer, acende os fósforos. Todavia, sempre que uma chama aparece, surge a visão de algo que ela muito anseia. Até que os fósforos acabam. 
Este é um dos contos mais profundos e trágicos de Andersen, e normalmente as crianças que o lêem não percebem se tem ou não um final feliz. A meu ver, a conclusão não podia ser mais satisfatória e adequada pois, no fundo, a menina recebe o que deseja e termina com uma vida de sofrimento atroz. É, acima de tudo, uma história cheia de fé e esperança.
A Pequena Sereia (1837) de Andersen foi uma das mais bem-sucedidas adaptações cinematográficas da História. A Disney pegou no texto, modificou o final, e relançou assim a sua segunda época dourada, os anos 90 do séc. XX. 
No conto de Andersen, a sereia salva o príncipe, mas esconde-se nas rochas à espera que apareça alguém para socorrê-lo. Desta feita, o rapaz nunca chega a saber que foi ela quem o salvou e, apesar de agradecido, não nutre por ela o amor que esta tanto deseja receber. O pacto que a sereia faz com a Bruxa do Mar não tem êxito, e o final é, além de trágico, uma verdadeira prova de amor. 
O conto de Andersen foi tão bem recebido pelo público dinamarquês, que, em 1913, foi inaugurada, no porto de Copenhaga, uma estátua em bronze da Pequena Sereia, hoje um dos símbolos do país. 
A Rainha das Neves (1844) foi a narrativa que inspirou um dos filmes mais famosos dos últimos anos, Frozen. E, apesar de à primeira vista a adaptação não ser assim tão evidente, depois de lermos o texto, percebemos que a inspiração não pode ter tido outra fonte. 
Kai e Gerda são dois bons amigos que vivem um em frente ao outro e brincam juntos todos os dias. Certa manhã, dois estilhaços de um espelho quebrado por um troll malvado que não reflete as coisas boas e só amplia as más, alojam-se nos olhos e no coração de Kai. Este acontecimento faz com que o rapaz fuja de casa e siga a Rainha das Neves, que o mantém enfeitiçado. Gerda, ao saber da fuga do amigo, vai no seu encalço e não descansa enquanto não o encontra. É ajudada por forasteiros que lhe dão uma rena, conseguindo assim chegar ao longínquo palácio da Rainha das Neves para libertar o amigo.
A intertextualidade entre o conto e o filme é clara, embora se trate de uma adaptação livre e cheia de diferenças. É obvio que a Rainha das Neves e Kai são, ao mesmo tempo, a personagem Elsa, e que Gerda é Anna.
Recomendo vivamente os contos de Hans Christian Andersen a todos os adultos e, claro, a crianças a partir dos 8/9 anos. Embora sejam por vezes um pouco violentos, dão lições de moral preciosas que emocionam e fazem pensar. Uma menção muito honrosa para o conto O Patinho Feio (1843) que foi adaptado pela Disney numa brilhante curta-metragem. 

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