A minha última leitura de 2015 foi The Goldfinch (2013) (O Pintassilgo), vencedor do prémio Pulitzer 2014, e um monstro de 771 páginas. A sua autora, Donna Tart, é uma reconhecida escritora norte-americana, famosa por publicar livros de dez em dez anos.
O início da obra é fascinante. Encontramos Theo Decker num quarto de hotel em Amesterdão, a explicar a razão pela qual se encontra ali, e que a repentina morte da mãe durante a sua adolescência o fez perder qualquer tipo de ambição ou orientação. Um pouco mais adiante, ficamos a saber o que tudo isto significa e o que o levou até àquele momento.
A mãe de Theo era uma amante de arte e passava muitas tardes no museu Metropolitano de Nova Iorque, cidade onde ambos viviam. Certa manhã, antes de se dirigirem à escola de Theo onde o diretor ia repreender o rapaz por uma má ação que este cometera, resolveram passar pelo museu para a mãe admirar mais uma vez um quadro de que gostava muito, O Pintassilgo do pintor neerlandês Carel Fabritius. De súbito, o edifício é alvo de um ataque terrorista. A mãe de Theo morre e o rapaz sobrevive. Sem pensar, Theo põe o quadro dentro da mochila, sai do museu, e a sua aventura começa. Sozinho nas ruas de Nova Iorque, Theo vai pulando de casa em casa e acaba por dar início a uma vida de crime, uma vida vazia, uma vida confusa.
The Goldfinch é uma obra complexa, mas, a meu ver, ao mesmo tempo simples. A morte da mãe muda radicalmente a vida de Theo, faz com que ele se perca em plena adolescência e divague sobre o que é melhor para si. Contudo, a sua essência boa nunca desvanece e o seu sofrimento acaba por apaziguar assim que ele começa a tomar as decisões certas.
Esta é uma obra com várias temáticas: a ligação entre mãe e filho, o amor pela arte, a diferença entre o bem e o mal, os traumas que sofremos, a responsabilidade das decisões que tomamos. Mas também é uma ode à esperança se conseguirmos perceber o que é melhor para nós e tivermos força para concretizá-lo. The Goldfinch é um livro muito belo, bem escrito, e com uma profundidade atroz. Recomendo e aguardo o filme.

