Quero muito ler Dostoievki e Tolstoi. São daqueles autores clássicos quase obrigatórios. Porem, as suas obras são extensas, pesadas e requerentes de toda a atenção. Poucas são as exceções, contudo, para nosso gáudio, Dostoievski escreveu um conto no começo da sua carreira que se pode ler e desfrutar numa tarde: Noites Brancas (1848).
Quando comecei a ler este livro, notei que a escrita não era fácil de acompanhar. Muitas são as repetições e frases longas que, por vezes, nos fazem perder o fio à meada. No entanto, após este pequeno primeiro passo, a história ganha vida própria e avança a toda a velocidade.
A ação decorre em São Petersburgo, à noite, onde um narrador sem nome nos relata um pouco da vida da cidade entrelaçando-a com a sua própria existência bucólica. De repente vê uma rapariga, Nastenka, a ser assaltada por um transeunte. O jovem não hesita em ir em seu auxilio e a partir desse momento o casal torna-se amigo e confidente. O narrador apaixona-se por ela, mas Nastenka já está comprometida…
Podia ser uma história de amor como outra qualquer, não fosse o final surpreendente de Noites Brancas que a distingue das demais. O bom do livro é mesmo a última parte, onde o leitor é confrontado com uma possibilidade pouco óbvia e um desenlace que faz todo o sentido ao mais puro estilo romântico.
Gostei muito deste conto. Depois de ultrapassado o início menos convencional deparamo-nos com uma história bonita e um final digno de um grande escritor. Recomendo.
