Literatura Juvenil · Literatura Portuguesa

Flor de Mel

Quando eu era adolescente, a minha escritora preferida era a Alice Vieira. Li muitos dos seus livros: Rosa, minha irmã Rosa, Lote 12 – 2º FrenteChocolate à Chuva, Flor de MelSe perguntarem por mim digam que voei
Uma das características que eu mais gostava nos romances de Alice Vieira era o facto de serem quase todos tristes e introspectivos. Normalmente, as personagens principais eram sempre raparigas (crianças ou adolescentes) que se viam numa situação familiar anormal que as obrigava a refletir sobre si próprias e sobre o mundo em seu redor. 
Flor de Mel (1986) não é exceção. Melinda, a rapariga desta história, é uma criança sem mãe que vive temporariamente na casa de uma ama porque o pai não tem condições de tê-la consigo. Ansiosa por ter uma vida estável como as outras crianças, a menina relata aos amigos a história fantástica que a avó Rosário lhe contou sobre a mãe ser rainha do palácio das Dioneias e estar, nesse momento, presa numa gruta guardada por piratas, razão pela qual não pode ir ter com a filha. Vivendo de casa em casa e atravessando provações e adversidades sem perder a esperança de um dia ter uma vida melhor, Melinda acaba por receber a visita do pai que, consigo, traz uma grande revelação.
O nono romance de Alice Vieira é dos mais curtos e, à primeira leitura, poderá não ser dos mais fáceis. De todas as obras que li esta foi das que mais atenção me exigiu na sua interpretação. Contudo, após tê-la compreendido, foi também das mais bonitas e satisfatórias. O livro está incluido no PNL do 5º ano, embora eu ache que seria mais adequado ao público adolescente precisamente por causa da interpretação que, para crianças de 10 anos, poderá não ser a mais óbvia. Seja como for, creio que se trata de uma narrativa filosófica forte que aporta consigo um final inesperado e significativo. Recomendo.

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