Literatura Norte-Americana

A mulher de branco

Devo admitir que o título deste livro sempre me fascinou. O nome do autor não me era familiar, nunca lera nada seu nem ouvira falar de outra obra que pudesse ter escrito. Só desta. Da enigmática mulher de branco. 


A Mulher de Branco (1859) de Wilkie Collins, colaborador e amigo pessoal de Charles Dickens, é hoje em dia considerado um clássico da literatura britânica e uma das primeiras tentativas do romance policial. Trata-se de uma narrativa epistolar que conta a história das irmãs Laura e Marian, e do seu amigo e professor de pintura, Walter Hartright, que, ao longo do livro, tenta descobrir a razão do aparecimento de uma mulher de branco, cuja fisionomia é semelhante à de Laura, que os avisa para o risco de esta última contrair matrimónio arranjado com o homem que o pai escolheu.

Sempre esperei que este fosse um romance de fantasmas, decidindo, por isso, lê-lo em Outubro, porém, a meio do livro, percebi que os espíritos que pairavam no ar não eram abstractos e dei-me conta de que estava, na verdade, perante uma trama policial bastante perversa.

O que mais me fascinou foi a personagem de Marian Halcombe. Ao contrário de Laura que é a típica mulher bonita, frágil e dependente, Marian é uma pessoa cheia de força que ajuda Walter a desvendar o caso e cuida da irmã como se de uma filha se tratasse. Collins dá-lhe um estatuto quase igual ao de Walter, fazendo-o, a certa altura, duvidar do seu amor por Laura perante a prestável Marian, e tornando-a o amor secreto do vilão em detrimento de uma esposa aduladora e servil que ele só suporta porque ela faz todas as suas vontades. Apesar de o autor ter tido a coragem de construir uma personagem feminina que em nada fica atrás do corajoso herói da trama, não teve bravura suficiente para lhe dar um final feliz ao lado de um homem. Marian acaba solteira por ter uma personalidade vincada e não corresponder aos padrões de beleza da época.

A obra é extensa, 478 páginas na edição da Relógio D’ Água, contudo, não nos apercebemos disso porque o livro está escrito numa maneira apelativa e nunca se torna maçudo. Recomendo-o vivamente, principalmente a quem gosta de romances policiais. O final é previsível mas está muito bem construído. E, apesar de não ser um romance de fantasmas, às vezes, assusta um bocadinho…

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