Literatura Norte-Americana

O Sentido na Vida

Comecei a ler este livro quando o meu gatinho morreu. Foi uma época muito estranha para mim porque, apesar de o meu gato ter dezoito anos e aparentar cada vez mais fragilidades, nunca pensei que o seu desaparecimento pudesse realmente acontecer. Entristeceu-me muito. Talvez por isso eu tenha querido refletir sobre o sentido na vida. Não de um ponto de vista de autoajuda, mas de um ponto de vista filosófico. 
Susan Wolf é professora catedrática na Universidade da Carolina do Norte e dedica o seu trabalho à filosofia moderna. Entre os vários temas que trata está o sentido na vida. Nesta obra, a autora argumenta que apesar de o sentido na vida ser diferente para todas as pessoas, tem uma característica geral a todas: fazer as coisas por amor e o desejo de realização. Quando fazemos algo por amor ou hedonismo sentimo-nos realizados, mas será que isso basta para que haja sentido na nossa vida? Susan Wolf acha que não e dá o exemplo de uma mulher que vive para alimentar o peixinho dourado e de um homem que tem como objetivo de vida fazer cópias manuscritas do livro Guerra e Paz, de Tolstoi. Questiona a autora: “(…) do ponto de vista do interesse próprio – e desde que, talvez, os seus afectos e valores sejam estáveis, (…) – estas vidas são tão boas quanto possível? (…)”. 
A professora argumenta ainda que o outro lado da moeda é fazermos algo “mais vasto do que nós”, ou seja “(…) algo cujo valor seja independente de nós e tenha a sua fonte fora de nós. (…)”. Contudo, argumenta, lembrando-se do caso de Sísifo, condenado interminavelmente a carregar uma pedra até ao cimo de um monte, “(…) mesmo uma vida que satisfaça completamente a condição subjetiva pode ser tal que hesitaríamos em descrevê-la como dotada de sentido, se objetivamente não tiver qualquer conexão a algo ou alguém cujo valor esteja para lá da própria pessoa em causa. (…)”. 
Isto é, a concepção de sentido na vida para Susan Wolf é, ao mesmo tempo, objetiva e subjetiva, tem a ver com o amor que depositamos no que é importante para nós e nas tarefas que fazemos em prol da comunidade. Segundo a sua visão, o discutível é se damos valor ao que é correto, um assunto inteiramente novo.
Confesso que achei o livro um pouco aborrecido devido à repetição dos conceitos descritos. Não nos podemos esquecer que a obra é o conjunto de uma série de conferências que Susan Wolf deu sobre o tema, ainda assim, poderia ter sido encurtado. Algo que achei curioso foi o facto de a autora ter acrescentado as opiniões de colegas seus, nem sempre concordantes com o seu ponto de vista, e as ter rebatido no final. É, acima de tudo, um livro filosófico e académico, que pede uma leitura atenta. Não tem uma conclusão fechada sobre o sentido na vida, mas dá-nos argumentos interessantes para o começo de uma reflexão. Afinal, não é para isso que serve a filosofia?

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