Literatura Europeia

História da Beleza

Este livro foi-me aconselhado por um psicólogo. Eu não sabia da sua existência, o que é estranho para alguém que liga tanto ao tema da beleza! O que não esperava era uma verdadeira revelação.
História da Beleza (2004) é um livro de não-ficção organizado e pensado pelo reputado escritor italiano Umberto Eco, que compilou os “ideais” de beleza (principalmente feminina) desde os gregos até à atualidade. Para isso, recorreu à arte e à literatura de forma a exemplificar o que era considerado bonito durante as diferentes épocas. 
O que aprendi com a frutuosa leitura foi que ao longo dos séculos a beleza sempre esteve associada a valores bons (ou bonitos, se quisermos), como a verdade, a bondade, a inteligência, a liberdade, o sofrimento, etc. O papel do artista (pintor, escultor, escritor) era o de exaltar estas qualidades tidas como extraordinárias em personagens dignas de admiração. A partir da Revolução Industrial (meados do séc. XIX), quando as máquinas começaram, pela primeira vez, a usurpar empregos e a criar produtos em massa, o lugar do artista foi posto em causa porque o físico passou a ser considerado belo. Tudo era classificado como arte, a arquitetura, a engenharia, a moda, a fotografia, o estilo de vida, o cinema. Parece que deixou de existir uma idealização de arte para passar a haver uma arte elitista e uma arte de massas. Foi mais ou menos a partir deste momento que o artista começou a olhar para a fisionomia humana per se como algo bonito, e a enaltecer quem correspondia a determinados padrões estéticos. Tudo ganhou mais força com o poder de Hollywood e das casas de alta costura. Até que chegamos à atualidade. 
Hoje em dia, a maioria da população ocidental e desenvolvida pensa que a magreza é a forma maior de beleza e elegância, basta verificarmos as revistas dirigidas ao público feminino que é quem mais contribui para as indústrias da moda e beleza. Contudo, tal como o livro refere, se um marciano descesse à Terra daqui a cinquenta anos e estudasse a História da beleza do nosso tempo veria que nunca houve uma era estética tão democrática como a que vivemos. 
Atualmente, todos os padrões de beleza parecem ser aceites. E temos vários exemplos para demonstrá-lo. Há pessoas que acham a Kim Kardashian bonita (complexão escura, muito curvilínea, baixa) e quem ache a Gisele Bundchen bonita (alta, magra, loira). Há quem considere o Johnny Depp bonito (alto, moreno, de aspeto Bad Boy) e quem considere o Chris Hemsworth bonito (loiro, musculado, de aspeto angelical). Todas as pessoas têm os seus gostos e as suas preferências. Veja-se, a título de exemplo, os casos das mais gordinhas. Embora ainda não sejam tidas como um padrão estético a seguir (principalmente devido a questões de saúde), têm fãs, são bem-sucedidas, e aparecem frequentemente em capas de revistas, como Adele, Queen Latifah, Melissa McCarthy, ou até Oprah. 
A conclusão do livro foi uma agradável surpresa. Nunca tinha realmente pensado que há um lugar cativo para todas as formas e feitios, e que as pessoas têm gostos diferentes e se interessam por outras não racionalmente, mais emocionalmente. Nem todas acham bonito o que nos é “vendido” ou “imposto” pelas indústrias que lucram com o estético, e a personalidade é, uma vez mais, a âncora que prende um ser a outro. Na minha opinião, todas as raparigas (e rapazes) deviam ler este livro para aprenderem de onde vêm os ideias de beleza, o que os motiva, e que o belo é algo de muito relativo e pessoal. Nunca parece ter sido, nem parece que será, um único padrão.

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