Não é ficção. É mesmo verdade. Witold Pilecki, um capitão do exército polaco, voluntariou-se para ir para um campo de concentração nazi de forma a organizar um motim junto dos prisioneiros e salvar os compatriotas que lá se encontravam detidos.
Deixando para trás a mulher e os dois filhos, Pilecki deixou-se apanhar nas ruas de Varsóvia e seguiu com os restantes capturados para Auschwitz. Ali, conheceu todo o tipo de privações e torturas, tentando sobreviver enquanto punha em marcha o seu plano e mantinha os outros soldados motivados. Apesar de ter sido testemunha de inúmeros atos de violência e ter passado fome e frio, Pilecki nunca desistiu do seu objetivo e sempre fez de tudo para salvar os colegas e escapar.
As suas desventuras em Auschwitz chegam-nos através do relatório que o próprio escreveu para os seus superiores, e que compõe este livro. Trata-se do seu depoimento do que viveu nos três anos que passou no campo, desde como era acordado, até aos natais passados com os nazis.
Atrevo-me a dizer que o relatório de Witold Pilecki tem a mesma importância histórica do Diário de Anne Frank. É um documento precioso que nos relata não só como eram os dias em Auschwitz, mas também como a coragem de um homem o leva a escolher a miséria para salvar uma vida que seja.
Nunca tinha ouvido falar de um voluntário em Auschwitz. Talvez porque o regime comunista que governou a Polónia após a II Guerra Mundial tenha abafado a história para não criar um mártir. Talvez por mera ignorância minha. Seja como for, agora que está editado em Portugal, creio que este livro é de leitura obrigatória para nos ajudar a não esquecer que em tempos de terror há sempre alguém que se manifesta e tenta impedir que a loucura de alguns faça mais vítimas. Heróis.
