Grande livro. Harper Lee realmente não precisou de escrever mais nada.
Embora tenha sido publicado em 1960, a ação da obra passa-se no decorrer dos anos 1933-35, logo após a Grande Depressão, e aborda o tema do racismo.
Atticus Finch, um advogado de 50 anos, viúvo, e pai de dois filhos (Jem e Scout) é nomeado pelo juiz do tribunal local para defender um jovem negro, Tom Robinson, de uma acusação de violação a uma jovem branca de reputação duvidosa. As hipóteses de defesa e absolvição são praticamente nulas devido ao sentimento antinegro que se vive na cidade de Maycomb, no sul dos Estados Unidos. Ainda assim, e apesar de saber que a sua família poderá sofrer consequências graves por parte de pessoas intolerantes, Atticus decide defender o jovem porque acredita na inocência dele.
Ora, Atticus não se engana em relação às consequências que tanto ele como a sua família acabam por sofrer, sendo o desfecho do julgamento, e do que lhe segue, o que de melhor a obra tem.
To Kill a Mockingbird é provavelmente o melhor livro sobre a segregação racial americana. Diz-se que Harper Lee se inspirou num episódio verídico que sucedeu na sua cidade natal e na recusa de Rosa Parks em levantar-se num autocarro para dar o lugar a um branco. Seja o que tenha sido, o tema do racismo é tratado com uma sensibilidade objetiva quase histórica, numa narrativa impressionantemente fluida.
Para mim, Atticus Finch é, sem dúvida, Gregory Peck. E este é um dos poucos exemplos em que vos aconselho a lerem o livro e, depois, a verem o filme (hoje um clássico do cinema), que a própria autora apelidou de “obra de arte”. Ambos são excelentes e deviam ser obrigatórios para quem gosta de ler e ver cinema.

