Literatura Norte-Americana

Maus

Comecei a descobrir o mundo da banda desenhada o ano passado com o livro Blankets, de Craig Thompson. Como adorei lê-lo, decidi aventurar-me noutro clássico da BD, a primeira a ganhar o prémio Pulizter (1992): Maus, de Art Spiegelman. 
Maus, tal como Blankets, é baseado numa história verídica, neste caso na do pai do autor, Vladek Spiegelman, um sobrevivente do Holocausto. A narrativa, dividida em duas partes, mostra-nos as entrevistas que Art fez ao pai para saber o que este passou durante a II Guerra Mundial de forma a conseguir escrever, ou melhor, desenhar o seu livro. 
Uma das características mais curiosas e interessantes da história é o facto de as personagens serem representadas por animais. Os judeus, como Vladek e Art, são ratos, os Nazis são gatos, os alemães não Nazis são porcos, e os franceses são sapos. Apesar de se notar a antiguidade do traço do desenho (feito nos anos oitenta) a BD é de leitura muito agradável e eu diria mesmo viciante. 
É impossível pousar o livro antes de o terminarmos. As páginas vão passando a uma velocidade imperceptível e quando damos pelo final desejamos mais. É uma leitura sensível, fria, crua, porém cheia de esperança e amor, o que lhe confere uma dignidade impressionante. 
Recomendo vivamente a leitura de Maus, quer sejam fãs de BD ou não. Não é apenas mais uma história sobre o Nazismo ou um dos seus sobreviventes, é a história de alguém que enfrentou tudo, que teve sorte, mas que sempre acreditou que se poderia salvar e tudo fez para o conseguir. Um herói. 

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