Literatura Britânica

Persuasão

Este foi o primeiro livro de Jane Austen que li por prazer, e tudo graças ao Facebook. Sim, Facebook. Estava eu um belo dia a navegar pela rede social quando me surgiu a oportunidade de fazer um teste para ver a que heroína de Jane Austen mais me assemelhava. O resultado foi Anne Eliot, de Persuasão. Comecei logo a ler o livro para perceber porquê.

Anne é filha do Barão Eliot, um homem vaidoso e egocêntrico que depois de perder a mulher gasta a fortuna em extravagâncias, vendo-se obrigado a alugar o palacete e a mudar-se para uma casa mais modesta em Bath. Ao contrário do pai e das irmãs que vivem para as aparências, Anne é mais modesta e valoriza a inteligência e a bondade de espírito acima de tudo. Aos dezanove anos vive um romance com Frederik Wentworth, um jovem incompatível para o casamento por ser de estatuto social inferior, o que a obriga a terminar a relação. Ele ingressa na Marinha e torna-se Capitão, criando nome e fazendo fortuna. Apesar de não se terem visto durante muitos anos, Anne não o esquece e anseia pelo seu regresso. Até que, certo dia, isso acontece. Apesar de muito feliz, Anne não sabe se os sentimentos do Capitão se mantêm…
Persuasão, como quase todos os romances de Jane Austen, fala-nos de uma história de amor atribulada pelas convenções da época. Quando jovem, Anne é persuadida a terminar o namoro com a pessoa de quem gosta por não ter o mesmo prestígio social da família Eliot. Porém, é persuadida a casar com um homem falso e de passado duvidoso por ele ter bom nome e ligações importantes a famílias nobres. 
De certa forma, este livro recordou-me a história da Bela e o Monstro, pois faz um contraste entre o valor da beleza e riqueza em oposição ao da inteligência e bondade. Primeiro, Anne escolhe de acordo com o que se espera dela, vivendo uma vida pouco feliz, depois segue o coração e escolhe quem realmente ama, independentemente de ser bonito ou rico, e de agradar às expectativas da sociedade.
Com esta obra, Jane Austen chama a nossa atenção para o que é mais importante nas relações humanas: quem é bom e verdadeiro tem uma vida satisfatória e feliz, e quem é ignorante e valoriza as aparências vive uma vida vazia e pouco recompensadora. “(…) but they must long feel that to flatter and follow others, without being flattered and followed in turn, is but a state of half enjoyment. (…)”
Gostei do livro, achei que, apesar de ser sobre uma história de amor tem muitas camadas intrínsecas sobre temas modernos como a posição da mulher na sociedade, a livre escolha, o deixar-se influenciar ou não para agradar aos outros, etc.
Se sou parecida com Anne? Apenas direi que percebi o resultado do teste…

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