Literatura Britânica

Agatha Christie

Como não podia deixar de ser, este ano li mais dois livros da autora Agatha Christie. Dead Man’s Folly e Come, Tell Me How You Live (Na Síria).

Dead Man’s Folly (1956)

Para contrastar com o Inferno, de Dan Brown, esta foi uma grande leitura de verão. Uma típica aventura Poirot.
O detetive recebe o telefonema de uma amiga de longa data e escritora de romances policiais, Mrs. Ariadne Oliver, para se juntar a ela na propriedade de Nasse House, onde decorrerá uma caça ao tesouro policial. Este jogo consiste em descobrir o assassino que terá matado um dos convidados. Porém, a família de Nasse House parece querer dar muitas dicas e opiniões sobre a brincadeira, o que leva Mrs. Ariadne a pensar que está alguma coisa errada e, consequentemente, à chamada de Poirot. Quando o detetive chega percebe de imediato que algo de estranho se passa. Espera pelo dia da festa. A rapariga que deveria fazer de cadáver está realmente morta. E é então que começa a investigação do detetive belga.

Uma grande história que me deixou colada ao livro durante dois ou três dias, Dead Man’s Folly é original, está muito bem escrito e inclui um leque de personagens bem ao estilo Agatha Christie: tresloucadas, suspeitas, com problemas psicológicos e emocionais, e muito inglesas na sua essência. 
É do principio ao fim um autêntico deleite que faz com que o leitor queira pular páginas só para desvendar o crime mais depressa.

Come, Tell Me How You Live (1946)

Agatha Christie nunca me deixa de surpreender, e talvez seja isso que eu gosto nela. Para além de escrever magníficas histórias de detetives, a escritora também se aventurou noutros modelos de escrita: teatro, romances (sob o pseudónimo Mary Westmacott) e diários de viagem. Come, tell me how you live enquadra-se neste último. 

O segundo marido de Agatha Christie, Max Mallowan, era arqueólogo de profissão e tinha de passar muito tempo fora de casa a fazer as suas pesquisas. Na altura, estas ocorriam maioritariamente no Médio Oriente, e por vezes a esposa acompanhava-o. Este livro é o relato da expedição que o casal fez à Síria. 
Numa crónica biográfica muito bem escrita e extremamente cómica (outro lado da autora que se calhar poucos conhecem), Agatha Christie conta-nos o dia a dia da sua equipa, os seus falhanços e sucessos, o tratamento/ relacionamento dos ocidentais com os habitantes locais e as diferenças culturais flagrantes e próprias que criam cenas absolutamente inesperadas e deliciosas. 
O livro também está pejado de curiosidades engraçadas como, por exemplo, o aparecimento do fecho éclair (e a estranheza que causava), e a obsessão da autora por sapatos. Para além disso, é também  muito interessante ver como se vivia num país que hoje em dia é presença assídua nos noticiários pelas piores razões. 

Uma leitura super agradável, fluída, cómica e extremamente moderna, escrita num período em que a autora fazia de enfermeira e socorria os soldados feridos da II Guerra Mundial em Londres, e o marido se encontrava no Egipto, colocado ali pelo British Council. Bela forma de matar saudades.

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