Literatura Europeia

Eu não tenho medo

Brincando com os amigos numa tarde de muito sol, Michele acaba por esbarrar numa casa abandonada que contem um segredo macabro. Está lá escondido um menino da sua idade, raptado por pessoas da aldeia e deixado a definhar num buraco escuro, sujo e frio, sem água, nem comida.
Este é o ponto de partida de Io non ho paura (Eu não tenho medo), um romance de 2001 da autoria do escritor italiano, premiado em 2007 com o prémio Strega, Niccolo Ammaniti. A acção da história decorre em 1978, numa cidade imaginária do Sul de Itália chamada Acqua Traverse. Tem como personagem principal Michele Amitrano, um rapaz pré-adolescente, curioso e destemido, que desafia os valores dos adultos sofridos e conformados, e tenta encontrar dentro de si o bom senso que lhes falta.
Muito bem escrito e com um ritmo fluente, Io non ho paura espelha a realidade complicada das gentes do sul italiano, que prezam a família acima de tudo, mas que sentem grandes dificuldades em entender-se, em falar sobre os seus sentimentos, e em pôr comida na mesa.
Com um desfecho inesperado mas bonito e ternurento, revelando, mais uma vez, que a força interior, o bom senso e o amor são os motores do ser humano, o livro encerra com um final meio aberto, meio fechado, permitindo várias interpretações ao leitor, mas deixando-o, ao mesmo tempo, com uma dica sobre o que provavelmente terá acontecido. Muito bonito.

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