
Não sei se é algo tipicamente russo, mas cada vez que leio um autor deste país acho o livro bastante confuso. Aconteceu com a Lolita de Nabokov, o Nariz de Gogol e agora com o Petersburgo de Béli.
O inicio do livro é bastante interessante, estamos na Rússia do principio do século vinte, momentos antes da revolução, e somos recebidos nesta cidade emblemática por uma familia disfuncional. O filho de um general (simbolo da antiga Rússia imperial) alista-se no partido comunista onde é incitado a guardar uma bomba artesanal (colocada dentro de uma lata de sardinhas) em casa, com o objectivo de matar o pai. É a partir daqui que a história se desenvolve, acompanhada por um misto de loucura e genialidade que confunde e, por vezes, aborrece o leitor. Nicolai passa o livro inteiro a tentar perceber o que quer fazer, o que deve fazer e quem é. A escrita, que tenta expressar o pensamento e os sentimentos da personagem, torna-se confusa e estranha, não sendo (pelo menos para mim) agradável de ler. O que também não ajuda é a mancha gráfica do texto, os nomes enormes e repetitivos das personagens, as imensas notas de rodapé, que nos situam e explicam algumas das passagens, e a pontuação desordenada, cheia de dois pontos, travessões e vírgulas.
O mais surpreendente é que apesar de a história não ser um primor de ler, tem um final surpreendente e até comovente.