Este pequeno livrinho de Maria do Carmo Vieira, o primeiro da colecção Ensaios da Fundação, (uma parceria entre a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a editora Relógio d´Água), faz uma abordagem geral do estado do ensino da Língua Portuguesa na escola de hoje.
Com conhecimento de causa por ser professora há mais de vinte anos, Maria do Carmo Vieira faz um balanço das políticas educativas que se foram fazendo ao longo das décadas, referindo-se ao ensino em todos os ciclos escolares, ao perfil do «novo» professor, às matérias leccionadas e ainda à iniciativa Novas Oportunidades.
Este ensaio critico esmaga sem piedade as últimas reformas introduzidas pelo Ministério da Educação, referindo exemplos concretos que foram vividos pela própria ou por colegas próximos, e apresentando soluções que, aparentemente, seriam, pelo menos, boas de se ouvir. Por exemplo, a autora critica bastante o facto de se ter retirado a Literatura da sala de aula (como a leitura integral de Os Lusíadas ou obras de escritores como Sophia, Miguel Torga ou Cesário Verde) para se dar lugar a textos mediocres de nenhuma importância, como analisar reclamações ou textos de carácter informativo sobre os Morangos com açúcar e o Big Brother. Outra mudança que pode chocar, pela razão apresentada, é o facto de os alunos já não lerem a Aparição de Vergilio Ferreira por o Ministério considerar que é um texto demasiado difícil porque fala sobre a morte «quando o que os aolescentes desejam é a vida».
Em suma, a visão que Maria do Carmo Vieira nos dá é a de que a escola trata os alunos como mentalmente incapazes, incutindo-lhes uma politica de facilitismo e desleixe que desencentiva os melhores a continuarem a ser bons, e afasta os mais fracos pela falta de interesse.
Apesar de O Ensino do Português representar, apenas e só, a opinião de uma professora respeitável, não deixa de nos alarmar para questões sociais graves que, no presente e no futuro, nos dizem e dirão respeito a todos.
