Este meu livro tem uma história bastante engraçada por trás.
Em 2009, numa pequena estada em Florença para melhorar os meus conhecimentos sobre a língua e cultura italianas, conheci uma rapariga inglesa chamada Harriet Good que, naquele preciso momento, andava a ler um livro intitulado Birdsong. Um dia, ao ver o livro em sua casa, li a contracapa e perguntei-lhe se estava a gostar. Ela respondeu que sim e aconselhou-me vivamente a sua leitura.
De volta a Lisboa, decidi comprar a obra para ter algo que me recordasse Harriet e também para ver se era assim tão bom como ela dizia. Percorri mundos e fundos numa busca incessante por Birdsong, que parecia nunca ter existido neste cantinho à beira-mar. Uma tarde, sentei-me na cama a ver televisão e olhei, por acaso, para a minha estante. Reparei num livro chamado O Canto dos Pássaros escrito por um tal Sebastian Faulks. Sebastian Faulks? Tu queres ver… Mal pude acreditar, o livro na minha estante era a tradução portuguesa do livro que Harriet me recomendara e que eu tinha comprado, em saldos, cerca de três anos antes, mas que nunca lera.
Falando agora propriamente da obra, devo dizer que foi uma agradável descoberta. Apesar de não ser um romance Nobel, é um livro que tenta dar uma perspectiva diferente e sem pretensões de um dos períodos negros da História.
A narrativa percorre vários períodos temporais mas centra-se sobretudo no ciclo da I Guerra Mundial, de 1914-1918. Conta-nos a história de um jovem chamado Stephen que, de um momento para outro, vê a sua vida virada do avesso quando é obrigado a alistar-se na guerra.
O que mais gostei foi o relato pormenorizado acerca da rotina dos soldados ingleses colocados em França. Temos tendência para saber mais sobre a II Grande Guerra devido à proximidade temporal e à tecnologia da época que nos ajuda a reconstituir o que realmente aconteceu. No caso da I, sabemos apenas que se tratou de uma acção militar mais física, travada, quase sempre, corpo a corpo. É esta percepção que Faulks tenta dar no seu livro e que, a meu ver, consegue. O leitor fica com uma visão mais abrangente das condições difíceis em que aquelas pessoas eram forçadas a viver, e dos traumas psicológicos que sofriam no terreno e que depois transportavam para as suas vidas.
Se há um contra na obra é o facto de o autor ter feito descrições bastante detalhadas e longas sobre o dia-a-dia de Stephen nas trincheiras, perdendo pouco tempo para as outras cenas e desenvolvimentos da história que parece terem ficado resolvidos em apenas três ou quatro páginas.
Contudo, não creio que seja razão para deixar de ler O Canto dos Pássaros (Difel; 488 páginas).
Tal como Harriet, eu também aconselho a sua leitura.
